Eddie – the Head, muito mais que um mascote

Quem me conhece sabe que eu não sou nem um pouco eclético quando o assunto é música. A maioria dos ritmos, principalmente os mais populares aqui em terras tupiniquins, eu passo longe. Mas o que você ouve então Castrinho? Basicamente? Rock!

 

Então, pensando nesse estilo que tanto me cativa e prende horas da minha atenção, resolvi escrever um texto que há muito estava navegando em meus pensamentos, um texto sobre Eddie, the Head – o mascote da banda britânica Iron Maiden. O rock vai muito além da música. As capas dos álbuns, as histórias e principalmente seus personagens, são tão ricos em detalhes que inspiram muitas outras mídias. Se analisarmos minuciosamente, Eddie é formado por histórias fantásticas e easter eggs surpreendentes.

 

Muito mais do que um simples mascote, Eddie se tornou parte integrante da banda e talvez o seu maior ícone. Não é difícil encontrar pelas ruas camisetas e moletons estampando a figura do ciborgue demoníaco. Muitos talvez nem conheçam a banda ou não curtam seu som com frequência, mas as impressionantes artes, muitas delas capas dos álbuns do Iron, já valem a investida.

 

A origem de Eddie remonta os primeiros anos da banda, quando um cenógrafo chamado Dave Beasly colocou no cenário do palco, uma cabeça metálica gigante. Algum tempo depois, com o sucesso da figura monstruosa, o designer Derek Riggs criou o que viria a ser o famoso mascote do Iron Maiden. Ao longo dos anos, Eddie ganhou vida própria, tornando-se um dos maiores expoentes da banda.

 

A Guerra

 

Eddie foi baseado em uma enigmática fotografia tirada na Batalha de Guadalcanal, durante a Segunda Guerra Mundial. A foto foi utilizada posteriormente em uma propaganda publicada na revista LIFE, durante a Guerra do Vietnã. A propaganda serviu de base e inspiração para o mascote.

 

Talvez não de maneira proposital no início, mas assumindo essa personalidade depois, dá pra entender um pouco da essência do personagem através dessa informação sobre sua origem. Eddie traz as auguras e os infortúnios de uma guerra, na figura de um soldado, muitas vezes sendo a personificação do próprio mal.  Não à toa, Eddie foi representando como soldado em diversos álbuns da banda, mostrando claramente que ele é um símbolo de guerra:

 

– Em “The Trooper”, Eddie é um Redcoat (um Casaco Vermelho do exército britânico), durante a Guerra da Crimeia;

 

– Tanto em “Aces High” quanto em “Tailgunner”, o mascote está em um avião da Segunda Guerra Mundial, sendo piloto no primeiro single e operador de arma no segundo;

 

“Two Minutes to Midnight” mostra Eddie em frente a um cogumelo nuclear, portando uma metralhadora;

– e em “A Matter of Life and Death” ele é o general de um exército de esqueletos, mostrado no topo de um tanque de guerra que traz seu rosto entre metralhadoras como brasão.

 

Eddie – Transmídia

 

O sucesso do mascote ao longo dos anos foi tão grande junto aos fãs da banda, que ele ganhou desdobramentos além dos álbuns, numa tentativa de “transmidializar” o personagem (não propositalmente, acredito eu). Em 1999, Eddie estrelou seu primeiro game, Ed Hunter, que trazia junto uma coletânea de músicas da banda. O mascote voltaria a protagonizar um jogo de videogame em 2015, na estreia do álbum “Speed of Light”. O jogo é uma versão 8 bit e tem ao fundo a própria música Speed of Light, também em versão 8 bit.

 

E claro que um ícone como esse tem alguns easter eggs bem legais para compartilhar com os fãs. Talvez o mais emblemático deles se refere ao mestre do terror, o escritor HP Lovecraft. No álbum “Live After Death”, a lápide de Eddie traz uma emblemática frase, que diz mais ou menos assim:

 

Não está morto aquele que pode eternamente jazer, embora, em estranhas eras, até a morte virá a morrer”.

 

A frase seria “uma homenagem” que um fã do escritor fez ao tentar desenterrar o corpo de Lovecraft de sua lápide. Também se tornou uma grande homenagem da banda ao mestre do terror. 

 

Polêmica

 

Em 1980 a capa do single “Sanctuary” causou polêmica ao mostrar o corpo da primeira-ministra britânica Margaret Thatcher caído no chão, após ser esfaqueado por Eddie. A capa foi censurada e apresentada com uma tarja preta, que, de acordo com o designer Derek, foi uma opção da administração da banda para ganhar publicidade.

Pouco tempo depois surgiu o álbum “Killers”, onde Eddie está matando alguém com uma machadinha. Apenas a mão da vítima aparece no álbum, mas as teorias da conspiração dizem se tratar novamente da primeira-ministra Thatcher.

 

Eddie The Head seja talvez um dos mais notórios ícones do heavy metal, adorado até mesmo por integrantes de outras grandes bandas do cenário, como Lars Ulrich, do Metallica. Por esse motivo, o mascote do Iron Maiden é reconhecido em todo mundo, até mesmo por quem não é um grande fã da banda ou do estilo musical.

 

Será que teremos novas histórias interessantes com Eddie The Head no futuro?? Só o tempo irá dizer.

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