Coisas estranhas acontecem no mundo do entretenimento

Em uma de minhas palestras, chamada “De onde vêm as ideias?”, começo com um slide trazendo a seguinte pergunta:

Harry Potter é plágio?

 

Apenas essa provocação já aguça o interesse dos espectadores e tenho sempre que me esforçar para não desagradar um possível fã do bruxinho. Sim, já me deparei com um fã incondicional de Harry Potter em uma das palestras e foi difícil conter a fúria do garoto que acreditava que eu era apenas um hatter, um invejoso que não tinha mais o que fazer e estava ali apenas para falar mal da obra mais incrível do mundo. Mas essa é uma outra história.

Pois bem, o mundo do entretenimento está cheio de plágios, mas também contém uma infinidade de histórias que fazem referência a outras grandes obras ou são um conjunto de referências que conta uma nova história, muitas vezes até melhor do que a original.

9781782114079Essa semana fui surpreendido com o anúncio da série “Strange New Things”, uma produção da Amazon, que estará disponível no serviço de streaming Amazon Prime (não disponível no Brasil). Tenho certeza que você está, neste momento, boquiaberto com a similaridade do nome de uma das séries mais aclamadas da atualidade. Sim, estou falando do mega sucesso Stranger Things, da Netflix (esse sim, um serviço disponível no Brasil).

A série Strange New Things será baseada no livro The Book of Strange New Things, do autor Michel Faber. A obra já foi lançada no Brasil pela editora Rocco, sob o título de O Livro das Coisas Estranhas. A trama de ficção científica narra a trajetória de um padre chamado Peter Leigh, que é enviado ao espaço para catequizar uma civilização extraterrestre, formando assim uma nova possível colônia humana. Mas a profunda fé do padre é testada até o limite e novos acontecimentos ditam o ritmo do livro até o final.

Ok, você deve estar se perguntando: “Mas esse livro não é de 2014? Então o nome já existia.” 

Sim, você está correto amiguinho(a). O livro de Michel Faber foi lançado em 2014, porém, a série da Netflix foi lançada antes da nova produção da Amazon e confundir o espectador com um nome tão parecido pode ser um tiro no pé para a nova série. Imagine só quantas pessoas não assistirão essa nova série pensando já ter assistido, achando que as duas são a mesma série.

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“Mas as histórias também são diferentes… não têm relação.. blablabla.”

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Arthur C. Clarke

Certo, você está correto mais uma vez. Mas… sempre o mas.. chegamos ao ponto do texto que eu queria. E se o livro The Book of Strange New Things, for o plágio da história? Veja bem, não estou falando do nome e muito menos das séries da Netflix e da Amazon, estou falando do livro, da obra do aclamado autor Michel Faber.

Muitos fãs de ficção científica, mais especificamente os fãs do consagrado autor Arthur C. Clarke (2001 – Uma Odisseia no Espaço), atribuem a história do livro de Faber como uma cópia modificada do conto A Estrela, escrito e lançado por Clarke em 1956. No conto, considerado o melhor daquele ano, um padre é enviado em uma missão espacial, afim de analisar e estudar os restos de algumas construções na superfície de um planeta que gira em torno de uma estrela. Os resultados mostram que o local pertenceu a uma antiga civilização, que existia antes daquela estrela explodir, e as descobertas do padre colocam em cheque toda sua fé e tudo o que acreditava até aquele momento.

Entendeu agora onde quero chegar? As duas histórias são muito parecidas e chega a ser difícil acreditar que A Estrela é apenas uma referência para o livro de Michel Faber. Está certo que o texto de Arthur Clarke é apenas um conto e história de Faber é muito maior, mas a semelhança do plot e os acontecimentos envolvidos colocam a prova a originalidade da obra recente.

Então agora eu pergunto:

The Book of Strange New Things é plágio?

[CONTO] Sobrevivência

“Acho que consegui despistá-los. Vermes!”

Uma dor irritante iniciou bruscamente na região do abdômen de Samantha. Ela baixou os olhos e pode ver o sangue escorrendo, o seu sangue. “Malditos! Me pegaram de surpresa … estavam me observando.”

Com certa dificuldade conseguiu chegar a um beco escuro, ainda não sabia o que a atingira, desconfiava de um tiro, mas não tinha certeza, queria apenas sair dali. O beco era escuro, do jeito que ela queria. Ali podia usar seus poderes de camuflagem e se esconder nas sombras, podia despistar os homens que estavam em seu encalço. Precisava de sangue.

“Ahhh humanos! Vermes do inferno! Vão pagar por isso!” Esbravejava a jovem vampira ainda com dores no ferimento.

Ouviu passos nas ruas. Ficou quieta e escondida nas sombras. Podia ouvi-los, eram eles, os malditos humanos que a feriram. As ruas de São Paulo já não eram mais seguras. Os humanos evoluíram, perderam o medo, contam com avanços tecnológicos que os auxiliam em suas caçadas, nas caçadas contra os vampiros. Agora era hora de se esconder…

A jovem levantou a cabeça e pode ver uma silhueta na entrada do beco. Não dava pra ver se era um de seus algozes, mas temeu por sua imortalidade. Samantha se preparou para atacar quando a sombra começou a se mover em sua direção. Não morreria tão facilmente, não assim, nas mãos dos humanos.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh” … novamente uma dor latente tomou conta do seu corpo, agora nos membros inferiores … algo acabara de atingi-la novamente … mais sangue escorrendo!

“Eles podem me ver…” e tudo escureceu ao seu redor.. 

>> Esse micro-conto foi publicado originalmente na edição #29 do Fanzine Adorável Noite, do amigo Adriano Siqueira, em 2009. A edição completa pode ser baixada no site do Overmundo.

[CONTO] As Aparências Enganam

O português caminhava a passos lentos pelo corredor escuro. Mal conseguia andar meio metro sem tropeçar em alguma coisa.

“Ora pois… não fazem mais corredores como antigamente. Ah, mas esse espertalhão me paga.

A caminhada parecia interminável. Seu Pereira parou de repente após tropeçar em uma panela e fazer um estardalhaço gigante. Uma luz acendeu no fim do corredor. Era o fim, tudo estaria acabado. Se o italiano parvalhão o encontrasse ali estaria perdido.

“Caspita! Quem está aí?”

Nenhuma resposta. O tintilar das panelas ainda podia ser ouvido, mas nenhuma resposta.

“Bichanos maledetos. Será que terei que matar todos os gatos dessa cidade???”

A porta se fechou novamente e a luz foi apagada. Novamente o corredor estava um completo breu. Seu Pereira não gostou do comentário sobre os gatos. Já não gostava do cozinheiro italiano, agora então o odiava.

“Don Giuseppe pode ser o maior mafioso da cidade, mas não tem o direito de sair por aí maltratando os pobres gatinhos. Ah, mas ele vai ver, ora se vai pá.”

O atrapalhado português continuou sua caminhada até a porta da cozinha. Abriu lentamente, tentando não fazer mais barulhos. Colocando o bigode para dentro deu uma leve espiada. Tudo livre. Talvez o italiano tivesse saído para comprar ingredientes ou para tramar alguma coisa contra os pobres gatinhos.

Arriscou então colocar o primeiro braço. Esperou. Ninguém. O caminho parecia livre. Entrou devagar e bateu a porta para fechá-la. O barulho foi enorme. O português congelou. Ficou imóvel, em pé ao lado da porta, olhando fixamente para o outro lado da cozinha. Ninguém entrou. Soltou o ar e respirou aliviado, o italiano estava fora.

“Legumes? Desde quando um italiano faz legumes? Onde estão as pizzas, as lasanhas e os molhos? Ó pá, mas este mafioso espertalhão está mesmo de piada.”

De repente a porta do outro lado da cozinha se abriu. O português congelou. Apenas abriu a mão para cair alguns parafusos na panela que refogava os legumes. É o fim, pensou novamente.

Para sua surpresa não foi o italiano que entrou na cozinha, mas sim um estranho homem com a cara pintada de branco e preto e alguns desenhos que lembravam os músicos de uma banda de rock americana.

O português olhou com surpresa. O homem do outro lado também congelou ao ver Seu Pereira.

Os dois trocaram olhares por um longo e interminável minuto. O estranho de cara pintada trazia alguns vidros de pimenta e um pequeno saco plástico em uma das mãos. O que seria aquilo?

Sem pensar duas vezes o português gritou:

“Maledeto! O que estais fazendo em minha cozinha?? Digo, o que faz na minha cozinha, ora pois …”

Por mais que tentasse, Seu Pereira não conseguia disfarçar o sotaque português e muito menos falar como o cozinheiro italiano. O cara pintada do outro lado do balcão sorriu, entendendo o que estava acontecendo ali.

“Tá, tá. Não sou Don Giuseppe. Meu nome é Nuno Pereira, ou Seu Pereira. E o seu??”

O português perguntou enquanto jogava mais alguns parafusos na panela.

O homem apenas levantou a mão e fez uma mímica esquisita que o português não entendeu. Depois levantou os vidros de pimenta e apontou as panelas. Continuou seus trejeitos, balançou a cabeça para frente e para trás, fez cara de quem ia vomitar e pegou um copo d’água, virando diretamente dentro da boca. O português achou graça nas mímicas do homem de cara pintada.

“És muito engraçado, pá! Estais tentando me dizer que quer virar esse troço aqui dentro das panelas?”

O mímico concordou com a cabeça. Deixou os vidros sobre o balcão, próximo ao fogão e juntou as mãos. Fez caretas simbolizando que estava pedindo “por favor” para o português. Novamente Seu Pereira riu.

“Tá certo então, mas vais bem rápido que o mafioso já deve estar voltando. És cozinheiro também?”

Novamente o homem fez sinal de positivo com a cabeça, enquanto despejava um vidro de pimenta dentro da panela. Pegou um brócolis dentro da travessa de vidro e olhou para o português, levantando os ombros em sinal de interrogação.

“Nem me pergunte. Também não entendi porque o italiano está a fazer estes legumes aí. Vamos embora logo.”

Os dois saíram pelo corredor de onde o português tinha vindo.

“Vamos gajo engraçado, é por aqui.”

Ao chegar no final do corredor e sair do local, o português não viu mais o mímico.

“Onde será que ele foi? Era um gajo muito engraçado mesmo.”

Foi então que Seu Pereira viu um cartaz preso atrás da porta pela qual saiu. A imagem mostrava o mímico em algum tipo de programa de TV, junto com apresentadores e atores famosos.

“François au Lait, o famoso cozinheiro francês é o novo apresentador do programa Mais Cozinha”. Leu as palavras em voz alta. “Ora pois, mas não é que o gajo é famoso mesmo.” 

E continuou a caminhada em direção a sua cozinha. Tinha um campeonato para vencer. Já tinha tirado um dos competidores do caminho, precisava descobrir quem eram os outros. Abriu a porta e entrou na cozinha. O cheiro da carne estava bom, já devia estar quase pront…

“ARRRGGHHHHHHHHHHHHHHHHHH… quem foi que jogou estas baratas no meu cozido? Eu mato um hoje, ah se mato!!!!”

Foi então que viu o pequeno saco plástico ao lado das panelas e lembrou, do agora não tão engraçado, cozinheiro francês.

“Gajo maldito, eu mato. Eu mato. Hoje eu mato e mando para os quintos dos infernos, ah se mat…”

Mas Seu Pereira primeiro precisava limpar sua cozinha. Não poderia vencer o campeonato apenas sabotando seus adversários. Precisava fazer um delicioso prato, um prato vencedor. Precisava repensar suas estratégias, precisava de um tempo. Era necessário… recomeçar.

>> Esse conto faz parte de uma experiência transmídia que realizei para o jogo de tabuleiro The Cook-Off, criado por Luis Francisco Baroni e lançado pela Funbox Jogos.

Em The Cook-Off, cada jogador é um cozinheiro que disputa um campeonato mundial de culinária. O objetivo é cozinhar carnes e legumes e subir no ranking de pontuação. Ao final do jogo, quem tiver mais pontos vence o jogo. A grande sacada do jogo são as sabotagens. Isso mesmo, um jogador pode sabotar a cozinha do seu adversário, colocando pimenta, parafusos ou insetos asquerosos na comida do outro, fazendo com que ele perca pontos ao final do jogo ou atrase sua caminhada ao topo do ranking.

Mjölnir e um pequeno detalhe que pode enriquecer uma história

Resgatando uma observação feita um tempo atrás em um outro espaço “internetístico”, gostaria de falar um pouco sobre os pequenos detalhes de uma obra que podem enriquecer toda a história. E o detalhe especifico a que me refiro aqui, aconteceu em uma cena do filme Vingadores – Era de Ultron, o segundo longa-metragem da super-equipe de super-heróis da super-Marvel.

Mjölnir, o poderoso martelo do Thor.

Durante a construção de uma história ou de seus personagens, é comum seu autor utilizar pequenos recursos ou detalhes para enriquecer a narrativa e dar um pouco mais de cor para a história central. No universo narrativo do Deus do Trovão nós temos esse pequeno detalhe, o Mjölnir.

Ok, mitologicamente falando, não é tão pequeno assim… mas prosseguimos.

O martelo do Thor é um item bastante conhecido da mitologia nórdica, muitas vezes (ou em muitas versões da mitologia) atribuído como um machado ou até mesmo um porrete. Nas lendas nórdicas, o Mjölnir é um artefato extremamente pesado, que somente o Deus Thor, com sua incrível força consegue carregá-lo. Ele ainda conta com a ajuda de um outro artefato, o cinto Megingjard que aumenta substancialmente sua força e lhe concede o manejo do poderoso martelo.

Para seu herói quadrinesco, a Marvel Comics teceu um novo propósito para o martelo, o Mjölnir só poderia ser carregado por quem fosse digno de tal feito, ou seja, a força é irrelevante para o Thor dos quadrinhos/cinema.

2562927-captain_america_mjolnirE esse é o ponto que eu quero chegar, agora falando especificamente da cena aí em cima. Durante o encontro dos heróis, começa uma brincadeira para ver quem consegue levantar o famoso martelo, colocado sobre a mesa pelo próprio Thor (claro, quem mais o faria?!). Vale aí a parte cômica, tão característica nos filmes da Marvel, onde Tony Stark veste uma das manoplas do Homem de Ferro para tentar o feito de levantar o martelo. Nada.. todo mundo tenta e nada. Até que, podemos ver claramente na expressão do Thor, Steve Rogers, o Capitão América, consegue mover levemente o Mjölnir. Mesmo que seja algo tão superficial que ninguém ali consegue perceber (a não ser o próprio Thor), fica aqui um pequeno detalhe sobre a construção do personagem Capitão América, sobre seus princípios e merecimento. Talvez ainda não seja digno de portar o grande artefato, mas já é algo que pode nos dizer muito sobre ele.

Não dá pra saber em quais HQs a Marvel se baseará para criar histórias futuras de seus personagens no cinema, mas nosso herói patriota já levantou o poderoso Mjölnir em duas ocasiões nas páginas dos quadrinhos. Na primeira vez em que foi digno de levantar o martelo, Steve Rogers apenas segurou a arma e a jogou para que Thor pudesse lutar. Na ocasião eles batalhavam contra Grog e os Demônios da Morte. Já na outra história, o Capitão América estava lutando contra o Serpente, seu escudo estava destruído e o poderoso martelo caiu na Terra. Steve Rogers usou todo o poder do Mjölnir para derrotar seu inimigo.

E a Viúva Negra, nossa belíssima Natasha Romanoff? Na cena em questão ela recebe o desafio de levantar o martelo, mas prefere não aceitá-lo. O que a Marvel estaria nos escondendo a respeito da Viúva? Seria ela digna também a ponto de levantar Mjölnir? Com certeza muitos fãs da personagem gostariam de ver tal façanha. Nos quadrinhos, Natasha já foi digna de levantar o martelo. Em um momento de necessidade, a Viúva Negra levantou o Mjölnir, porém, se transformou na versão feminina do Thor. Seria bem interessante ver Natasha Romanoff se transformar na nova Thor nos cinemas. 🙂

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Muitos outros personagens já levantaram o Mjölnir nos quadrinhos, afinal estamos falando de décadas de histórias envolvendo o personagem e seu martelo. Mas já que o foco do post é o universo cinematográfico da Marvel, finalizo apenas mencionando a possibilidade do Hulk levantar o martelo. Em 2012, na Avengers Assemble, Hulk foi controlado por Thanus (o grande vilão da fase atual da Marvel nos cinemas) e consegue sobrepujar o poder do martelo e levantá-lo usando a força!

Capitão América, Viúva Negra, Hulk… será que veremos o Mjölnir em ação nas mãos de outro personagem nos cinemas? E você, o que está achando da Marvel nas telonas?