Há cerca de 8 anos, sim, eu disse OITO anos, a produtora polonesa CD Projekt Red (famosa pela franquia de jogos The Witcher) anunciou sua mais nova produção, Cyberpunk 2077

O novo jogo da empresa é baseado no RPG de mesa Cyberpunk 2020, reimaginado como um jogo digital e totalmente atualizado para os dias atuais, afinal, sua primeira edição foi lançada lá na década de 1980. 

Mas se você começou a ler esse artigo sem entender nada do que está acontecendo, vamos contextualizar um pouco sobre o gênero.  

Cyberpunk 

Cyberpunk é o que podemos chamar de subgênero da ficção científica. Ele é caracterizado pela famosa expressão “high tech, low life”, ou seja, suas histórias são carregadas de tecnologia, mas seus personagens são marginalizados na sociedade.  

As narrativas cyberpunk se passam (geralmente) em futuros distópicos, onde a tecnologia atingiu alto grau de complexidade, muitas vezes até se fundindo ao próprio ser humano (como membros e órgãos cibernéticos), mas a sociedade é decadente, com a maior parte dos indivíduos marginalizados, vivendo em condições precárias em suas cidades super populosas. 

Algumas obras do gênero se tornaram clássicas na cultura pop, como o livro Neuromancer, de Willian Gibson, o filme Blade Runner e a trilogia Matrix (essa elevada ao extremo do gênero, em um futuro tão distante que as máquinas venceram os humanos). 

Vale lembrar também que a estética cyberpunk traz cidades cheias de luzes e neons, vestimentas extravagantes e a música carregada de referências psicodélicas, muitas vezes influenciadas (ou sendo elas próprias) por estilos como punk rock e música eletrônica.  

Esse último parágrafo é importante para entendermos um pouco de um dos principais elementos do novo jogo Cyberpunk 2077, sua cidade. 

Night City 

Toda boa história do gênero cyberpunk se passa em uma grande cidade, com suas luzes e neons agitando a noite, as megacorporações dominando tudo e a tecnologia pulsando em cada esquina.  

Night City, a cidade onde é ambientado Cyberpunk 2077 é exatamente assim. Como a própria sinopse do jogo traz, uma metrópole obcecada por poder, glamour e biomodificações. Eleito o pior lugar para se viver na América, Night City fica situada na Califórnia, costa oeste dos EUA.

Cyberpunk 2077 

Nessa cidade distópica, linda e futurista, o jogador interpreta V, um mercenário fora da lei. No jogo, você escolherá se V será um homem ou uma mulher (e aqui falando apenas do aspecto físico, pois você não escolhe o “gênero” do personagem, apenas sua aparência), podendo customizar todas as suas características. 

O que sabemos até o momento sobre o enredo é que V estará atrás de um implante único que carrega a chave da imortalidade. Como um bom jogo de mundo aberto, o jogador terá a total liberdade para explorar cada canto de Night City, seguindo a narrativa principal do jogo ou partindo para missões paralelas, sempre interessantes para conseguir algum dinheiro extra, novos equipamentos e mais experiência.  

Um projeto que nasce transmídia 

Bom, provavelmente você chegou aqui pelo título desse artigo e até agora não leu nada sobre transmídia. É aí que você se engana, porque lá no começo eu falei a origem desse novo jogo. Sim, começamos nossa linha de raciocínio transmídia falando sobre o RPG. 

Criado lá na década de 1980 por Mike Pondsmith, o RPG de mesa Cyberpunk 2020 trazia todas as características do gênero cyberpunk para as aventuras imaginativas do jogo. E todo o cenário e elementos ali presentes, serviram de base para a criação do universo de Cyberpunk 2077, incluindo participação e consultoria de Mike no projeto.  

O próprio RPG foi atualizado, seguindo as modificações propostas no jogo da CD. O novo RPG de mesa se chama Cyberpunk RED, a perfeita mistura entre Cyberpunk 2020 e Cyberpunk 2077.  

Trauma Team 

Quase que simultaneamente com o jogo, a CD Projekt RED, em parceria com a editora Dark Horse Comics, lançará Cyberpunk 2077: Trauma Team, uma série em quadrinhos baseada no universo do game.  

Nessa nova trama, conheceremos Nádia, única sobrevivente de uma missão de resgate fracassada da Trauma Team International, uma das corporações presentes no jogo. A protagonista passa então a trabalhar com uma nova equipe, seguindo uma missão de remoção. Essa história nos levará a conhecer mais sobre a Trauma Team e seus segredos.  

Escrevi uma matéria completa falando sobre a nova HQ e a corporação Trauma Team lá no site Jogazera. Clique aqui para conferir.  

Cyberpunk: Edgerunners 

Durante o evento Cyberpunk Night City Wire, a CD Projekt Red anunciou o lançamento de uma série animada em parceria com a Netflix, chamada Cyberpunk: Edgerunners.  

Como estreia somente em 2022, ainda não temos muitos detalhes, mas a sinopse fala que acompanharemos um garoto de rua lutando para sobreviver em uma cidade obcecada por tecnologias e biomodificações. Sim, a Night City já citada aqui. Ele então se torna um Edgerunner, espécie de fora da lei mercenário do universo de Cyberpunk 2077.  

Música 

Lembra que eu falei sobre a música como elemento importante nas histórias cyberpunk? Pois é, ela não poderia ficar de fora dessa nossa análise transmídia.  

Dentro do universo de Cyberpunk 2077, nos deparamos com a banda Samurai, capitaneada por seu vocalista Johnny Silverhand, que será interpretado por ninguém menos do que Keanu Reeves no jogo.  

A CD Projekt RED tem lançado algumas músicas da banda nos players mais famosos, como Spotify e YouTube. Mesmo sendo uma banda fictícia, já ganhou os ouvidos e corações dos fãs.  

Por todos esses desdobramentos, Cyberpunk 2077 já está sendo elaborado e todo construído como um projeto transmídia. Novas revistas em quadrinhos para 2021 e a animação Edgerunner em 2022 devem servir para alavancar ainda mais as vendas do jogo e mantê-lo forte no cenário por muitos anos.  

Eu já estou mega ansioso por esse lançamento e você?