[CONTO] Um sorriso debochado

Todas as noites ela me olha. Fica me observando como se eu fosse roubar alguma coisa. O que ela pensa que eu sou? Um ladrão? Um marginal? Achei que nesse país não existia isso.

 

A vida era dura no Brasil, mas não mudou muito quando cheguei no primeiro mundo. Oras.. me olhar com essa desconfiança? Ahhhh. Já estou perdendo a paciência com ela. Penso em fazer uma besteira. Hoje quase desisti de vir para o trabalho. No caminho pensei em retornar, inventar uma desculpa, falar que estava doente.. mas cheguei aqui. Afinal, é o meu trabalho.

 

Resolvi que hoje vou ignorar essa mulher. Ô mulher esquisita. Vou fazer o que sempre faço, normalmente. Vou limpar aqui, passar o pano ali, tirar o pó daquele outro ali. É isso que eu faço, eu limpo. E limpo muito bem diga-se de passagem. Mesmo com uma mulher petulante me espionando, olhando como se eu fosse um animal. Ela é muito estranha. Fica só com aquele sorrisinho no rosto. Será que é mesmo um sorriso? Ou uma expressão de desconfiança? Nem sei mais. Só sei que não gosto dela. Mulher irritante.

 

Hoje não vou passar ali no setor dela. Muito menos olhar pra ela. Se depender de mim, ela vai viver na sujeira. O lugar ficará imundo e ela terá que pedir de joelhos se quiser que eu limpe ali. Ah como me irrita essa mulher. Que ódio. Não.. não posso fazer isso. O sr. Leon ficará muito bravo. Não posso perder o emprego. Não por causa daquela lá. Não por causa de alguém que não merece nem meus pensamentos.

 

Será que estou apaixonado? Minha mãe dizia “quem desdenha quer comprar”. Será que isso significa alguma coisa? Não, não pode ser. Não aquela mulher. Não pode ser.

 

Ignora Jeremias, ignora. Passa por ela limpando rapidinho. Talvez ela nem perceba.

 

O QUE VOCÊ QUER DE MIM??? POR QUE FICA ME OLHANDO ASSIM?? SUA MALUCA… PARA DE RIR DESGRAÇADA!

 

Calma.. calma.. ela não falou nada. Será que ficou com medo? Será que exagerei? Não devia ter gritado com ela. Ahhh mas aquele sorriso debochado. Que ódio.

 

Quando a conheci pensei em dar seu nome para minha primeira filha, se um dia eu tivesse uma, claro. Achei o nome lindo. Mas agora.. agora não consigo nem pronunciar sem tremer de raiva. Que mulher odiável. Que mulher esnobe, desconfiada, irritante… que mulher horrorosa. Como pode tanta gente gostar dela? Uma baixinha ordinária, que debocha das pessoas, que se acha superior com aquele olhar esquisito. E o sorriso? Tenho vontade de bater nela só de pensar no sorriso. Tenho pensado muito nisso ultimamente, em fazer uma besteira. Todas as noites, quando deito para dormir, me imagino cometendo uma loucura. Fico fantasiando os momentos de raiva, o ódio que eu sinto dela, que ódio, muito ódio.

 

Não. Fica calmo Jeremias, você não pode estragar a sua vida por causa daquela maluca. Não pode. Calma, calma.

 

Já é quase meia noite. O sr. Leon disse que passaria aqui esse horário pra fiscalizar. O antigo faxineiro disse que o velho fazia isso toda semana. Será que ele também desconfia de mim? Tenho medo do sr. Leon, ele parece um vilão de filme antigo. Usa uma barba estranha e aquele chapéu esquisito. Sr. Leon. Não sei o sobrenome dele. Nem quero saber. Dizem que ele já mandou cinco faxineiros embora no último ano. Cinco. Eu não quero entrar pra essa lista não. Vou ficar bem quietinho e fazer meu trabalho. Aqui tudo é velho, tudo. Não me admira terem contratado o sr. Leon para administrar o lugar. Ele combina muito bem com tudo isso aqui.

 

Shhh.. está vindo alguém.

 

Ufa, é só o Louis, o vigia noturno. Ele é um cara legal, tem um monte de filhos, com várias mulheres diferentes, mas é muito gente boa. Acho que ele também não gosta muito daquela mulherzinha não. Ele passa por ela sem nem cumprimentar, mal olha em sua direção. Será que ele também a odeia? Tenho medo de perguntar. Vai que ele gosta dela e fica bravo comigo? Melhor ficar na minha mesmo.

 

E por que é que ela tem que ficar aqui durante a noite também? Facilitaria muito minha vida se ela ficasse só durante o dia. Vai embora pra casa, vai cuidar da família, passear em outro lugar, mas me deixa em paz, mulher dos infernos.

 

– Jeremias! JEREMIAAAAS! A voz do homem parecia um trovão em meio a tempestade, fazendo Jeremias saltar assustado com o chamado.

 

– S..sim Sr Le.. Leon.. estou aqui.

 

– Você já limpou a sala nova? Aquela que estava em reforma?

 

– Sim, já está tudo em ordem Sr. Leon. Respondeu o faxineiro, aliviado por ter cumprido a tarefa com antecedência, evitando assim uma bronca daquelas por parte do chefe.

 

– Ótimo! Logo cedo a Monalisa será transferida. E na quarta-feira os visitantes do museu poderão contemplá-la novamente.

 

Monalisa. Só de pensar nesse nome já fico tremendo de raiva. Pelo menos a sala nova é bem mais afastada e não terei que olhar para essa mulher o tempo todo. Sorrisinho debochado aquele.. oras…  

Como sair de uma rotina criativa e chutar o bloqueio para longe!

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Recentemente ouvi de duas pessoas a seguinte frase: “Está difícil, hoje estou com um bloqueio criativo”. E isso em um intervalo de uma semana. Dois profissionais diferentes, um mais experiente, outro ainda aprendendo e evoluindo, mas ambos com o mesmo problema, o tal do “bloqueio criativo”.

Isso me fez parar para pensar sobre o assunto. O que leva um profissional a ter esse famigerado problema? E o principal, como resolver isso?

Julie Zhuo, diretora de design de produto do Facebook, usa uma expressão para o bloqueio que achei bastante interessante, “O Poço da Frustração”. Acho que a tradução mais literal seria O Poço do Desconforto, mas “frustração” funciona melhor nesse caso. E esse poço é um lugar escuro, medonho e realmente assustador.

Chegando ao fundo do poço.

Quando você atinge o poço da frustração, ou seja, está com o famoso bloqueio criativo, duas coisas podem acontecer. A primeira é a negação, você está convencido que não há nada errado com você, mas todo o resto está fora do lugar. O ambiente conspira contra você, o tempo está uma droga, o chefe está chato, a reunião é inútil e todo o ambiente não está favorável para o seu melhor desempenho. O segundo caso é exatamente o oposto. Você acredita que tudo está errado com VOCÊ. É você que não consegue, não sabe fazer, não pode ter uma boa ideia.. você é o problema.

Ambos os casos levam para o mesmo sentimento: a frustração.

O poço da frustração é um lugar terrível!

O poço da frustração é um lugar terrível!

Existem duas maneiras de sair do poço:

  1. Esquecer TUDO e começar do zero. Sim, é tão fácil quanto parece. Volte lá para o começo e inicie todo o processo novamente.
  2. A segunda maneira é um pouco mais complicada, envolve vagar pela escuridão do poço, tropeçar em seus obstáculos, mas continuar com a ideia original e tentar finalizar aquele trabalho da melhor maneira possível.

Para ajudá-lo a sair desse poço maldito, selecionei algumas dicas que considero importantes, independente de qual caminho você escolher:

>> Acredite em você

Pode parecer um pouco clichê, mas é a mais pura verdade. Esteja você em negação ou se sentindo derrotado, acredite que você vai conseguir sair do poço da frustração. O primeiro passo para o seu cérebro começar a agir de maneira diferente perante aquele problema é acreditar que vai conseguir sair daquela etapa complicada. O simples fato de relaxar e dizer “eu consigo” já vai estimular a fabulosa máquina dentro da sua caixa craniana para produzir coisas diferentes. E aí, você consegue?

>> Brainstorm solitário

Um bate-papo com você mesmo pode ajudar a trazer tantas ideias quanto possível, mesmo que algumas forem bem ridículas. Além de estimular seu cérebro a pensar em várias possibilidades, você poderá se soltar, sem correr o risco de alguém achar uma ideia estúpida ou inviável, afinal, só você está vendo aquilo.

>> Procure uma mudança de cenários

Você pode estar lutando para chegar a novas ideias porque sua mente está associando elementos do seu espaço de trabalho com boas ideias que você já teve em outras ocasiões. Saia do seu local habitual ou que você se sinta confortável e procure novos ares, lugares que não tenham associação com a sua rotina.

>> Imagine

Você não quer uma solução para o seu problema, o que você quer realmente é a sensação de alívio e satisfação quando esse problema estiver resolvido. Da mesma forma, você não quer ter uma ideia para um novo produto, o que você realmente quer é, provavelmente, a certeza de que você está melhorando a vida de outras pessoas e o sentimento da realização de mudar o mundo. Bonito isso..

Então faça o seguinte: Reserve três minutos sozinho, duas vezes por dia, por três dias. Feche os olhos e imagine-se experimentando o estado emocional que você vai sentir quando resolver aquele problema, quando avançar no seu bloqueio criativo. Imagine o que você está vendo. Imagine o que está ouvindo. Imagine como seu corpo se sente. Torne isso tão real quanto possível, porque este exercício inspira o seu cérebro para gerar o avanço que você precisa para as novas ideias!

Enfim, seguindo as dicas acima, posso quase garantir que você vai chegar com algo inesperado. Boa sorte!

>>> Cena pós-créditos <<<

Aqui vai uma dica extra:

>> Encontre o seu momento certo

Eu por exemplo, funciono melhor na parte da manhã. O período antes do almoço é o mais criativo para o meu cérebro. Tenho amigos que só conseguem criar de madrugada ou a noite, logo após o jantar. É essencial que você encontre o seu momento certo para criar. Encontre esse momento, com pouca ou nenhuma distração, de preferência. Torne esse momento regular para que você consiga pensar criativamente todos os dias.

Até a próxima!

Coisas estranhas acontecem no mundo do entretenimento

Em uma de minhas palestras, chamada “De onde vêm as ideias?”, começo com um slide trazendo a seguinte pergunta:

Harry Potter é plágio?

 

Apenas essa provocação já aguça o interesse dos espectadores e tenho sempre que me esforçar para não desagradar um possível fã do bruxinho. Sim, já me deparei com um fã incondicional de Harry Potter em uma das palestras e foi difícil conter a fúria do garoto que acreditava que eu era apenas um hatter, um invejoso que não tinha mais o que fazer e estava ali apenas para falar mal da obra mais incrível do mundo. Mas essa é uma outra história.

Pois bem, o mundo do entretenimento está cheio de plágios, mas também contém uma infinidade de histórias que fazem referência a outras grandes obras ou são um conjunto de referências que conta uma nova história, muitas vezes até melhor do que a original.

9781782114079Essa semana fui surpreendido com o anúncio da série “Strange New Things”, uma produção da Amazon, que estará disponível no serviço de streaming Amazon Prime (não disponível no Brasil). Tenho certeza que você está, neste momento, boquiaberto com a similaridade do nome de uma das séries mais aclamadas da atualidade. Sim, estou falando do mega sucesso Stranger Things, da Netflix (esse sim, um serviço disponível no Brasil).

A série Strange New Things será baseada no livro The Book of Strange New Things, do autor Michel Faber. A obra já foi lançada no Brasil pela editora Rocco, sob o título de O Livro das Coisas Estranhas. A trama de ficção científica narra a trajetória de um padre chamado Peter Leigh, que é enviado ao espaço para catequizar uma civilização extraterrestre, formando assim uma nova possível colônia humana. Mas a profunda fé do padre é testada até o limite e novos acontecimentos ditam o ritmo do livro até o final.

Ok, você deve estar se perguntando: “Mas esse livro não é de 2014? Então o nome já existia.” 

Sim, você está correto amiguinho(a). O livro de Michel Faber foi lançado em 2014, porém, a série da Netflix foi lançada antes da nova produção da Amazon e confundir o espectador com um nome tão parecido pode ser um tiro no pé para a nova série. Imagine só quantas pessoas não assistirão essa nova série pensando já ter assistido, achando que as duas são a mesma série.

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“Mas as histórias também são diferentes… não têm relação.. blablabla.”

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Arthur C. Clarke

Certo, você está correto mais uma vez. Mas… sempre o mas.. chegamos ao ponto do texto que eu queria. E se o livro The Book of Strange New Things, for o plágio da história? Veja bem, não estou falando do nome e muito menos das séries da Netflix e da Amazon, estou falando do livro, da obra do aclamado autor Michel Faber.

Muitos fãs de ficção científica, mais especificamente os fãs do consagrado autor Arthur C. Clarke (2001 – Uma Odisseia no Espaço), atribuem a história do livro de Faber como uma cópia modificada do conto A Estrela, escrito e lançado por Clarke em 1956. No conto, considerado o melhor daquele ano, um padre é enviado em uma missão espacial, afim de analisar e estudar os restos de algumas construções na superfície de um planeta que gira em torno de uma estrela. Os resultados mostram que o local pertenceu a uma antiga civilização, que existia antes daquela estrela explodir, e as descobertas do padre colocam em cheque toda sua fé e tudo o que acreditava até aquele momento.

Entendeu agora onde quero chegar? As duas histórias são muito parecidas e chega a ser difícil acreditar que A Estrela é apenas uma referência para o livro de Michel Faber. Está certo que o texto de Arthur Clarke é apenas um conto e história de Faber é muito maior, mas a semelhança do plot e os acontecimentos envolvidos colocam a prova a originalidade da obra recente.

Então agora eu pergunto:

The Book of Strange New Things é plágio?

[CONTO] Sobrevivência

“Acho que consegui despistá-los. Vermes!”

Uma dor irritante iniciou bruscamente na região do abdômen de Samantha. Ela baixou os olhos e pode ver o sangue escorrendo, o seu sangue. “Malditos! Me pegaram de surpresa … estavam me observando.”

Com certa dificuldade conseguiu chegar a um beco escuro, ainda não sabia o que a atingira, desconfiava de um tiro, mas não tinha certeza, queria apenas sair dali. O beco era escuro, do jeito que ela queria. Ali podia usar seus poderes de camuflagem e se esconder nas sombras, podia despistar os homens que estavam em seu encalço. Precisava de sangue.

“Ahhh humanos! Vermes do inferno! Vão pagar por isso!” Esbravejava a jovem vampira ainda com dores no ferimento.

Ouviu passos nas ruas. Ficou quieta e escondida nas sombras. Podia ouvi-los, eram eles, os malditos humanos que a feriram. As ruas de São Paulo já não eram mais seguras. Os humanos evoluíram, perderam o medo, contam com avanços tecnológicos que os auxiliam em suas caçadas, nas caçadas contra os vampiros. Agora era hora de se esconder…

A jovem levantou a cabeça e pode ver uma silhueta na entrada do beco. Não dava pra ver se era um de seus algozes, mas temeu por sua imortalidade. Samantha se preparou para atacar quando a sombra começou a se mover em sua direção. Não morreria tão facilmente, não assim, nas mãos dos humanos.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh” … novamente uma dor latente tomou conta do seu corpo, agora nos membros inferiores … algo acabara de atingi-la novamente … mais sangue escorrendo!

“Eles podem me ver…” e tudo escureceu ao seu redor.. 

>> Esse micro-conto foi publicado originalmente na edição #29 do Fanzine Adorável Noite, do amigo Adriano Siqueira, em 2009. A edição completa pode ser baixada no site do Overmundo.

[CONTO] As Aparências Enganam

O português caminhava a passos lentos pelo corredor escuro. Mal conseguia andar meio metro sem tropeçar em alguma coisa.

“Ora pois… não fazem mais corredores como antigamente. Ah, mas esse espertalhão me paga.

A caminhada parecia interminável. Seu Pereira parou de repente após tropeçar em uma panela e fazer um estardalhaço gigante. Uma luz acendeu no fim do corredor. Era o fim, tudo estaria acabado. Se o italiano parvalhão o encontrasse ali estaria perdido.

“Caspita! Quem está aí?”

Nenhuma resposta. O tintilar das panelas ainda podia ser ouvido, mas nenhuma resposta.

“Bichanos maledetos. Será que terei que matar todos os gatos dessa cidade???”

A porta se fechou novamente e a luz foi apagada. Novamente o corredor estava um completo breu. Seu Pereira não gostou do comentário sobre os gatos. Já não gostava do cozinheiro italiano, agora então o odiava.

“Don Giuseppe pode ser o maior mafioso da cidade, mas não tem o direito de sair por aí maltratando os pobres gatinhos. Ah, mas ele vai ver, ora se vai pá.”

O atrapalhado português continuou sua caminhada até a porta da cozinha. Abriu lentamente, tentando não fazer mais barulhos. Colocando o bigode para dentro deu uma leve espiada. Tudo livre. Talvez o italiano tivesse saído para comprar ingredientes ou para tramar alguma coisa contra os pobres gatinhos.

Arriscou então colocar o primeiro braço. Esperou. Ninguém. O caminho parecia livre. Entrou devagar e bateu a porta para fechá-la. O barulho foi enorme. O português congelou. Ficou imóvel, em pé ao lado da porta, olhando fixamente para o outro lado da cozinha. Ninguém entrou. Soltou o ar e respirou aliviado, o italiano estava fora.

“Legumes? Desde quando um italiano faz legumes? Onde estão as pizzas, as lasanhas e os molhos? Ó pá, mas este mafioso espertalhão está mesmo de piada.”

De repente a porta do outro lado da cozinha se abriu. O português congelou. Apenas abriu a mão para cair alguns parafusos na panela que refogava os legumes. É o fim, pensou novamente.

Para sua surpresa não foi o italiano que entrou na cozinha, mas sim um estranho homem com a cara pintada de branco e preto e alguns desenhos que lembravam os músicos de uma banda de rock americana.

O português olhou com surpresa. O homem do outro lado também congelou ao ver Seu Pereira.

Os dois trocaram olhares por um longo e interminável minuto. O estranho de cara pintada trazia alguns vidros de pimenta e um pequeno saco plástico em uma das mãos. O que seria aquilo?

Sem pensar duas vezes o português gritou:

“Maledeto! O que estais fazendo em minha cozinha?? Digo, o que faz na minha cozinha, ora pois …”

Por mais que tentasse, Seu Pereira não conseguia disfarçar o sotaque português e muito menos falar como o cozinheiro italiano. O cara pintada do outro lado do balcão sorriu, entendendo o que estava acontecendo ali.

“Tá, tá. Não sou Don Giuseppe. Meu nome é Nuno Pereira, ou Seu Pereira. E o seu??”

O português perguntou enquanto jogava mais alguns parafusos na panela.

O homem apenas levantou a mão e fez uma mímica esquisita que o português não entendeu. Depois levantou os vidros de pimenta e apontou as panelas. Continuou seus trejeitos, balançou a cabeça para frente e para trás, fez cara de quem ia vomitar e pegou um copo d’água, virando diretamente dentro da boca. O português achou graça nas mímicas do homem de cara pintada.

“És muito engraçado, pá! Estais tentando me dizer que quer virar esse troço aqui dentro das panelas?”

O mímico concordou com a cabeça. Deixou os vidros sobre o balcão, próximo ao fogão e juntou as mãos. Fez caretas simbolizando que estava pedindo “por favor” para o português. Novamente Seu Pereira riu.

“Tá certo então, mas vais bem rápido que o mafioso já deve estar voltando. És cozinheiro também?”

Novamente o homem fez sinal de positivo com a cabeça, enquanto despejava um vidro de pimenta dentro da panela. Pegou um brócolis dentro da travessa de vidro e olhou para o português, levantando os ombros em sinal de interrogação.

“Nem me pergunte. Também não entendi porque o italiano está a fazer estes legumes aí. Vamos embora logo.”

Os dois saíram pelo corredor de onde o português tinha vindo.

“Vamos gajo engraçado, é por aqui.”

Ao chegar no final do corredor e sair do local, o português não viu mais o mímico.

“Onde será que ele foi? Era um gajo muito engraçado mesmo.”

Foi então que Seu Pereira viu um cartaz preso atrás da porta pela qual saiu. A imagem mostrava o mímico em algum tipo de programa de TV, junto com apresentadores e atores famosos.

“François au Lait, o famoso cozinheiro francês é o novo apresentador do programa Mais Cozinha”. Leu as palavras em voz alta. “Ora pois, mas não é que o gajo é famoso mesmo.” 

E continuou a caminhada em direção a sua cozinha. Tinha um campeonato para vencer. Já tinha tirado um dos competidores do caminho, precisava descobrir quem eram os outros. Abriu a porta e entrou na cozinha. O cheiro da carne estava bom, já devia estar quase pront…

“ARRRGGHHHHHHHHHHHHHHHHHH… quem foi que jogou estas baratas no meu cozido? Eu mato um hoje, ah se mato!!!!”

Foi então que viu o pequeno saco plástico ao lado das panelas e lembrou, do agora não tão engraçado, cozinheiro francês.

“Gajo maldito, eu mato. Eu mato. Hoje eu mato e mando para os quintos dos infernos, ah se mat…”

Mas Seu Pereira primeiro precisava limpar sua cozinha. Não poderia vencer o campeonato apenas sabotando seus adversários. Precisava fazer um delicioso prato, um prato vencedor. Precisava repensar suas estratégias, precisava de um tempo. Era necessário… recomeçar.

>> Esse conto faz parte de uma experiência transmídia que realizei para o jogo de tabuleiro The Cook-Off, criado por Luis Francisco Baroni e lançado pela Funbox Jogos.

Em The Cook-Off, cada jogador é um cozinheiro que disputa um campeonato mundial de culinária. O objetivo é cozinhar carnes e legumes e subir no ranking de pontuação. Ao final do jogo, quem tiver mais pontos vence o jogo. A grande sacada do jogo são as sabotagens. Isso mesmo, um jogador pode sabotar a cozinha do seu adversário, colocando pimenta, parafusos ou insetos asquerosos na comida do outro, fazendo com que ele perca pontos ao final do jogo ou atrase sua caminhada ao topo do ranking.

Mjölnir e um pequeno detalhe que pode enriquecer uma história

Resgatando uma observação feita um tempo atrás em um outro espaço “internetístico”, gostaria de falar um pouco sobre os pequenos detalhes de uma obra que podem enriquecer toda a história. E o detalhe especifico a que me refiro aqui, aconteceu em uma cena do filme Vingadores – Era de Ultron, o segundo longa-metragem da super-equipe de super-heróis da super-Marvel.

Mjölnir, o poderoso martelo do Thor.

Durante a construção de uma história ou de seus personagens, é comum seu autor utilizar pequenos recursos ou detalhes para enriquecer a narrativa e dar um pouco mais de cor para a história central. No universo narrativo do Deus do Trovão nós temos esse pequeno detalhe, o Mjölnir.

Ok, mitologicamente falando, não é tão pequeno assim… mas prosseguimos.

O martelo do Thor é um item bastante conhecido da mitologia nórdica, muitas vezes (ou em muitas versões da mitologia) atribuído como um machado ou até mesmo um porrete. Nas lendas nórdicas, o Mjölnir é um artefato extremamente pesado, que somente o Deus Thor, com sua incrível força consegue carregá-lo. Ele ainda conta com a ajuda de um outro artefato, o cinto Megingjard que aumenta substancialmente sua força e lhe concede o manejo do poderoso martelo.

Para seu herói quadrinesco, a Marvel Comics teceu um novo propósito para o martelo, o Mjölnir só poderia ser carregado por quem fosse digno de tal feito, ou seja, a força é irrelevante para o Thor dos quadrinhos/cinema.

2562927-captain_america_mjolnirE esse é o ponto que eu quero chegar, agora falando especificamente da cena aí em cima. Durante o encontro dos heróis, começa uma brincadeira para ver quem consegue levantar o famoso martelo, colocado sobre a mesa pelo próprio Thor (claro, quem mais o faria?!). Vale aí a parte cômica, tão característica nos filmes da Marvel, onde Tony Stark veste uma das manoplas do Homem de Ferro para tentar o feito de levantar o martelo. Nada.. todo mundo tenta e nada. Até que, podemos ver claramente na expressão do Thor, Steve Rogers, o Capitão América, consegue mover levemente o Mjölnir. Mesmo que seja algo tão superficial que ninguém ali consegue perceber (a não ser o próprio Thor), fica aqui um pequeno detalhe sobre a construção do personagem Capitão América, sobre seus princípios e merecimento. Talvez ainda não seja digno de portar o grande artefato, mas já é algo que pode nos dizer muito sobre ele.

Não dá pra saber em quais HQs a Marvel se baseará para criar histórias futuras de seus personagens no cinema, mas nosso herói patriota já levantou o poderoso Mjölnir em duas ocasiões nas páginas dos quadrinhos. Na primeira vez em que foi digno de levantar o martelo, Steve Rogers apenas segurou a arma e a jogou para que Thor pudesse lutar. Na ocasião eles batalhavam contra Grog e os Demônios da Morte. Já na outra história, o Capitão América estava lutando contra o Serpente, seu escudo estava destruído e o poderoso martelo caiu na Terra. Steve Rogers usou todo o poder do Mjölnir para derrotar seu inimigo.

E a Viúva Negra, nossa belíssima Natasha Romanoff? Na cena em questão ela recebe o desafio de levantar o martelo, mas prefere não aceitá-lo. O que a Marvel estaria nos escondendo a respeito da Viúva? Seria ela digna também a ponto de levantar Mjölnir? Com certeza muitos fãs da personagem gostariam de ver tal façanha. Nos quadrinhos, Natasha já foi digna de levantar o martelo. Em um momento de necessidade, a Viúva Negra levantou o Mjölnir, porém, se transformou na versão feminina do Thor. Seria bem interessante ver Natasha Romanoff se transformar na nova Thor nos cinemas. 🙂

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Muitos outros personagens já levantaram o Mjölnir nos quadrinhos, afinal estamos falando de décadas de histórias envolvendo o personagem e seu martelo. Mas já que o foco do post é o universo cinematográfico da Marvel, finalizo apenas mencionando a possibilidade do Hulk levantar o martelo. Em 2012, na Avengers Assemble, Hulk foi controlado por Thanus (o grande vilão da fase atual da Marvel nos cinemas) e consegue sobrepujar o poder do martelo e levantá-lo usando a força!

Capitão América, Viúva Negra, Hulk… será que veremos o Mjölnir em ação nas mãos de outro personagem nos cinemas? E você, o que está achando da Marvel nas telonas?

Protocolo Bluehand – o potencial transmídia dentro do grupo Jovem Nerd

Lá em meados de 2006, o site de entretenimento Jovem Nerd (comandado por Deive Pazzos e Alexandre Ottoni) lançava o que viria a ser sua principal atração, o Nerdcast, um podcast totalmente dedicado a cultura nerd e publicado religiosamente toda sexta-feira. E o Nerdcast não apenas tornou-se o principal produto do grupo, mas também o mais famoso (e mais bem-sucedido) podcast da internet brasileira. E foi dentro dos episódios do Nerdcast que nasceu o Protocolo Bluehand.

Seria uma simples brincadeira ou o grupo estaria preparando seus espectadores para algo maior? Isso eu não sei, mas o fato é que, o analista de suporte de informática Caio Boiteux, um dos participantes da atração Nerdcast, é conhecido como Bluehand e seria ele o detentor de todo o conhecimento da humanidade. Com essa “brincadeira” em mente, o grupo passou a chamá-lo para participar de todos os episódios do podcast que necessitavam de algum conhecimento avançado em determinadas áreas e com isso, seus protocolos foram sendo criados e moldados ao longo dos programas.

protocolo-bluehand-capa1-250x300Em 2011, numa parceria com seu amigo e best-seller Eduardo Spohr (autor de A Batalha do Apocalipse e da trilogia Filhos do Éden), Azaghal e Jovem Nerd lançaram o primeiro livro chamado Protocolo Bluehand: Alienígenas. Em um formato de guia e com projeto gráfico primoroso, PBhA tornou-se um sucesso entre os seguidores do Jovem Nerd e também os fãs de ficção científica. Trazendo todas as diretrizes para o preparo conta uma possível invasão alienígena, a regra mais importante ali ensinada é: “Localize e Proteja o Bluehand”. Claro, afinal, com todo seu conhecimento, ele é o único capaz de perpetuar tais ensinamentos para os descendentes (e remanescentes) da raça humana.

Um ano depois, em 2012, o segundo Protocolo foi lançado, agora, preparandoPROTOCOLO_BLUEHAND_ZUMBIS_1354255937B-235x300
seus leitores para a (iminente) proliferação dos mortos-vivos. Protocolo Bluehand: Zumbis traz todas as diretrizes para você sobreviver em um apocalipse zumbi. Novamente com um projeto gráfico lindíssimo, cheio de anotações e ilustrações, esse novo protocolo foi escrito com a ajuda do escritor Abu Fobiya (se você ainda não sabia, esse ser é conhecido como Fábio Yabu, escritor e roteirista), também autor de outros livros lançados pelo grupo Jovem Nerd, como “Branca dos Mortos e os Sete Zumbis” e a graphic novel “Independência ou Mortos”.

Nesse momento, o Protocolo Bluehand já estava estabelecido como um potencial projeto transmídia. Comecei então a acompanhar de perto essa ideia e imaginar alguns outros caminhos que a franquia poderia tomar. Foi então que encontrei um pequeno game de navegador, criado por um fã do Jovem Nerd chamado André Pessoa. O jogo é bem simples, onde você mira e mata zumbis que se aproximam de um carro onde estão os sobreviventes. Apesar de não ser oficial e não fazer parte dos produtos da empresa, esse game mostra a proporção que o projeto está tomando e estabelece a cultura participativa entre os fãs do grupo.

Mas, ainda em 2011, coincidindo com o lançamento do primeiro Protocolo, a empresa Virtue Studio apresentou um vídeo cinematic do que poderia vir a ser um game oficial do Protocolo Bluehand. Mostrando cenários, veículos, personagens e até algumas cenas de gameplay, o vídeo deixou os fãs alucinados. Em um vídeo em seu canal no YouTube, o Jovem Nerd e a Sra. Jovem Nerd (esposa do Alexandre Ottoni) deixaram claro que se tratava de um estudo, uma espécie de experimento por parte do estúdio e não havia nada oficial ou em desenvolvimento sobre ele. Nesse episódio, eles comentaram que o estúdio queria começar com projetos menores, talvez games para mobile e depois partir para algo menor. Na época, um link para uma pesquisa foi disponibilizado, afim de saber que tipo de jogo os fãs do canal gostariam de ver sobre o Protocolo Bluehand.

Mas… e se o Protocolo Bluehand FALHASSE? 

hq_pbh_falhasse_01-300x269Foi exatamente com essa pergunta que surgiu, no site Jovem Nerd, uma HQ que narra os acontecimentos de uma possível falha nas diretrizes do Bluehand. Bem humorada e com belos desenhos, a HQ foi criada por Vilmar Júnior e mostra uma nova frente narrativa para o Protocolo Bluehand.

A história foi contada em 5 capítulos e agradou bastante os fãs que trataram de rechear as redes sociais com pedidos para que novas histórias como aquela fossem lançadas fisicamente, através da loja do grupo (a Nerd Store).

Um amigo ilustrador (e fã do Jovem Nerd) me procurou uma vez com a ideia de criar uma HQ baseada no Protocolo Bluehand. A ideia dele era utilizar elementos não explorados pela franquia, como monstros mitológicos, Cthulhu e coisas do gênero. Acho que ele desistiu da ideia em algum momento posterior.

O Mercado de Luxo e os produtos licenciados

Em 2014 o grupo fechou uma parceria com a empresa italiana de canetas de luxo Montegrappa (não foi a primeira
B3rEaeuCEAA90MF-300x300vez, eles já haviam feito outra parceria antes) e lançou um concurso para criar a Caneta Protocolo Bluehand. Artistas e designers enviaram suas artes e protótipos através do Instagram e um grupo de jurados nacionais e internacionais selecionou a vencedora, com a promessa de ser criada pela empresa. Seria esse o primeiro produto licenciado da franquia Protocolo Bluehand (além, é claro, da camiseta oficial já comercializada pela Nerd Store)? Dificilmente seria um produto licenciado para as massas, pois as canetas Montegrappa são exclusividade de um grupo de milionários que tem muito $$ para gastar com tais objetos.

Se a caneta italiana não foi a primeira tentativa de licenciar produtos sob a marca Protocolo Bluehand, podemos dizer que a franquia tem grande potencial para atrair muitos fãs, de diversos segmentos, para seus produtos. Prova disso é que, em 2015, o grupo Jovem Nerd e a Galápagos Jogos anunciaram uma expansão para o jogo de tabuleiro Zombicide.

Gaming Night #5 – Protocolo Bluehand é uma campanha com 4 missões para serem jogadas em Zombicide (principalmente na terceira temporada, chamada Rue Morgue, mas com alguma adaptação pode ser utilizada em qualquer outra temporada) e traz os personagens Jovem Nerd e Azaghal como sobreviventes do apocalipse zumbi. A linha Gaming Night do jogo é famosa por trazer novos personagens, missões extras e dados customizados, e a dupla Jovem Nerd e Azaghal são os primeiros brasileiros a estarem dentro do jogo Zombicide. As quatro primeiras caixas do Gaming Night eram produtos exclusivos lá fora, com tiragens menores e, à princípio, utilizadas em eventos e lojas especializadas para promover o jogo. Resta saber se essa expansão brasileira também seguirá a mesma fórmula ou se manterá em circulação enquanto houver interessados nela.

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A premissa do projeto Protocolo Bluehand como um todo é bem interessante e original, podendo tornar-se um projeto ainda maior em suas frentes transmidiáticas. Ainda não sei quais rumos tomará e se novos produtos surgirão, mas continuo acompanhando e estudando esse caso. A única certeza até o momento é que o terceiro livro da linha Protocolo Bluehand, com o subtítulo “Robôs” (ou “Máquinas” talvez) está em desenvolvimento e deve sair em breve pelo selo NerdBooks (selo literário do grupo).

E lembre-se sempre:

LOCALIZE E PROTEJA O BLUEHAND

 

 

Mistério Transmídia é o segredo do sucesso da campanha de Star Wars VII

Um potencial transmídia também durante a divulgação do 7º longa da franquia.

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Quanto mais nos aproximamos da estreia do 7º longa-metragem de uma das franquias mais bem sucedidas do mundo, mais a ansiedade bate e nos deixa apreensivos em relação a esse novo filme. E toda essa ansiedade se deve a uma estratégia muito bem desenvolvida pela Disney que passamos a chamar aqui de Mistério Transmídia.

E por que chamamos de Mistério?

Se você é um cinéfilo de plantão, já deve ter percebido que a indústria do cinema, muitas vezes, estraga parte da experiência da obra soltando muitas informações já em seus trailers. Por diversas vezes senti que o trailer de um filme entregou demais sua história e depois que você assiste percebe que nada de muito novo aconteceu ali em termos narrativos. Mas a Disney está escondendo o ouro, e revelando, à conta-gotas, informações relevantes sobre Star Wars – O Despertar da Força.

E onde entra a Transmídia nisso tudo?

Há pouco dias, o trailer oficial do filme (provavelmente o último antes da estreia) foi divulgado e deixou os fãs ainda mais entusiasmados. E o que podemos ver acompanhando as redes sociais, é que as especulações e teorias dão ainda mais destaque para o filme e fazem o trailer ganhar ainda mais propósito de existir.

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Mas tudo começou há pouco mais de um ano (abril de 2014), quando as primeiras informações sobre as gravações do longa, em Abu Dhabi e Islândia começaram a surgir. O primeiro teaser só foi mostrado em novembro de 2014, revelando alguns novos personagens, como Finn e Rey. Os personagens e elementos do filme continuaram sendo apresentados através dos cards especiais da Topps. Um novo trailer, revelado na Star Wars Celebration, em Anahein/CA, mostrava a volta dos queridos personagens Han Solo e Chewbacca, o que deixou os fãs ainda mais malucos e ansiosos.

As poucas informações e novos personagens continuaram sendo mostradas ao longo dos meses, com a cobertura da revista Vanity Fair sobre o filme, um painel sem grandes alardes da Comic Con 2015 de San Diego, que apresentou algumas cenas de bastidores e já em agosto de 2015, os participantes do evento D23 Expo Disney receberam um cartão comemorativo, além do lançamento de um vídeo de 15 segundos publicado pela Disney no Instagram.

Mas as peças desse quebra-cabeças de informações só começaram a fazer algum sentido (será?) quando a Disney promoveu um Unboxing Mundial com transmissão ao vivo pelo YouTube e SarkoPlank-225x300duração de 18 horas, mostrando a nova linha de brinquedos e produtos licenciados do novo filme. As roupas, personagens ainda não revelados e descrições nas caixas dos brinquedos se tornaram material de especulação para o fãs, que ainda buscavam novas informações sobre a trama do filme.

E pouco antes de exibir o trailer oficial, comentado aí no início da matéria, a Disney brindou os fãs com um belo cartaz oficial do filme, que revelava pouco, mas empolgantes informações sobre o longa.

Mesmo com tanto material de divulgações, em tantas mídias diferentes, o mistério sobre a trama do filme foi mantido e pouco se sabe quais serão os rumos de Star Wars – O Despertar da Força. Tudo isso ajudou a confundir ainda mais a cabeça dos fãs e alimentar milhares de teorias e especulações sobre o longa.

Os personagens principais, Finn (um possível Stormtrooper desertor) e a Rey, que seria uma espécie de coletora/catadora (ou algo assim) ainda dividem opiniões. Qual deles é o novo Jedi? Finn é uma possibilidade, já que ele é apresentado com o sabre de luz nos trailers… ou Rey que seria a verdadeira portadora da Força que será despertada?

Esse último trailer foi lançado durante o intervalo do Monday Night Football, na ESPN e foi visto por cerca de 16 milhões de espectadores. Enquanto isso, 17 mil tweets foram contabilizados por minuto durante a exibição do trailer e a liberação posterior no YouTube e Facebook acumulou 112 milhões de visualizações em 24 horas.

Um brilhante exemplo de marketing transmídia, que se fortaleceu ainda mais com a liberação de venda dos ingressos cerca de 5 semanas antes da estreia do filme.

Atenção para um “possível spoiler” do filme

Um comercial natalino das pilhas Duracell pode ter liberado um importante spoiler do filme, onde mostra uma garotinha, vestida com as mesmas roupas da personagem Rey, usando a Força para repelir alguns Stormtroopers. Veja você mesmo:


E você, o que espera de Star Wars – O Despertar da Força?

O filme tem estreia mundial marcada para 18 de Dezembro.

*Texto adaptado de matéria do huffingtonpost.com
*post originalmente publicado no Universo Insônia.

Pensando com meus botões:

 

“Se a Duracell mandou um spoiler em seu comercial natalino, eles provavelmente tiveram acesso a informações do filme antes da estreia. Isso pode ser uma grande jogada para marcas anunciantes, pois têm a chance de integrar elementos oficiais das produções em suas peças publicitárias.”